“PASSOS DE TRADIÇÃO - Romaria à Sra. da Lage” - Desafio Lançado pelo Eco Escolas da ESA

No dia 3 de maio, as encostas da Serra da Freita foram palco de uma vivência profundamente enraizada na memória coletiva da comunidade de Arouca: a romaria à Senhora da Lage. A atividade “Passos de Tradição”, promovida pelo grupo Eco Escolas da Escola Secundária de Arouca (ESA), em parceria com o Município de Arouca, a Junta de Freguesia de Urrô, a Comissão de Melhoramentos de Souto Redondo e BTT Arouca  proporcionou a cerca de  100  participantes  reviver uma tradição ancestral.

Nas encostas da serra, não foi apenas a natureza que deixou marcas, mas também os homens, que guiados pela fé criaram caminhos. Ao longo de gerações, a Capela da Senhora da Lage foi ponto de encontro para habitantes de várias aldeias dos concelhos de Arouca e Vale de Cambra, num ritual de devoção, partilha e ligação profunda à paisagem e à cultura locais.

Os participantes, oriundos de diferentes faixas etárias e motivações, puderam escolher entre cinco percursos distintos: caminhada (11 km), trail (24 km), BTT (28 km), estrada (45 km) e cavalo (11 km). Cada passo foi uma oportunidade de cruzar trilhos com paisagens deslumbrantes e sons da natureza, entrelaçados com momentos de emoção proporcionados pela música tradicional.

No ponto de partida, na Capela de São Lourenço, os participantes foram calorosamente recebidos pelo presidente da Junta de Freguesia de Urrô, Geraldo Campas, por representante do Geoparque Arouca, Otília Vilar, e por representante do grupo Eco Escolas da ESA, Cátia Pinho, do 12.º E. Foi entregue um flyer com informações e curiosidades sobre o percurso, elaborado por um grupo de alunos da mesma turma. O momento foi enriquecido com a interpretação do “Hino de Arouca”, na voz do aluno Simão Oliveira, também do 12.º ano.

Na aldeia de em Souto Redondo, Simão Oliveira voltou a emocionar o público ao lado do grupo de cantares local, um conjunto polifónico que recupera e valoriza tradições musicais do campo. Juntos, interpretaram os temas “Fui à Senhora da Lage”, “A Cobra na Erva Verde” e “O Tiro Liro”, melodias profundamente enraizadas na cultura popular rural, habitualmente cantadas em contexto comunitário e ao ar livre. A Comissão de Melhoramentos de Souto Redondo, em parceria com a Junta de Freguesia de Urrô, ofereceu um lanche tradicional — o popular "mata-bicho" — aos participantes do evento, destacando sabores autênticos da região. O momento de convívio contou com produtos locais como boroas de castanha, abóbora, milho e centeio, acompanhadas de mel, reforçando a valorização da gastronomia regional e das tradições locais. Durante o convívio, a exposição - Arte Campestre: Vassouras que Contam Histórias - mostrou aos participantes que a tradição secular de utilização de arbustos autóctones para a confeção de vassouras, originalmente usadas para varrer os espaços exteriores das casas de montanha foi adaptada aos tempos atuais. Atualmente transformadas em peças decorativas únicas, além de homenagearem o saber popular, tornaram-se símbolos de ligação entre passado e presente, natureza e cultura.

Na chegada um grupo de alunos do 9.º ano, da opção de teatro, acompanhados pela professora Elvira Tavares, proporcionou um momento de convívio especial ao realizar um piquenique à moda antiga. A iniciativa recriou tradições de outros tempos, num ambiente descontraído e animado, enriquecido pelas melodias de concertinas, tocadas com entusiasmo por duas alunas.

A freguesia de Urrô, com o seu cenário natural privilegiado, serviu de palco de fundo para um encontro que não só reforça os laços entre gerações, como promove valores fundamentais de sustentabilidade, identidade cultural e respeito pelo território.

O grupo Eco Escolas da ESA reafirma, com esta iniciativa, o seu compromisso de preservar, valorizar e transmitir às novas gerações o património material / imaterial que moldou a freguesia de Urrô e a identidade da região. Mais do que manter viva a tradição, pretende-se adaptá-la aos desafios e sensibilidades do presente, ligando a herança cultural ao espírito dos tempos atuais. Passo a passo, ano após ano, os valores da fé, da comunhão com a natureza e do respeito pelas raízes vão sendo renovados e reinterpretados, para que a romaria à Senhora da Lage continue a ser, no futuro, um símbolo vivo de identidade, pertença e sustentabilidade.

O grupo Eco Escolas agradece o envolvimento dos alunos da disciplina de Teatro das turmas C e I do 9º ano, bem como dos alunos do 12º E que elaboraram o flyer promocional. Um agradecimento final a Pedro Cruz pelo apoio prestado no design deste flyer que contribuiu para a identidade visual do evento.

A todos os organizadores e participantes, o nosso sincero obrigado.

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