European Maritime Day IN MY COUNTRY
No dia 18 de abril, os alunos do 10G, dando continuidade ao seu projeto DAC, realizaram uma saída de campo ao Mosteiro de Arouca e ao Arouca Agrícola, facilitada pelo Arouca Geopark.
A visita pretendia evidenciar e compreender a história do Mosteiro, observar e interpretar a exposição AQUA assim como visitar o Arouca Agrícola enquanto espaço de escoamento de produtos locais e apoio aos agricultores da região. Desta forma, os alunos continuam a descobrir estratégias de desenvolvimento sustentável, encontrando recursos endógenos compatíveis com a sua fixação na região que fará toda a diferença na mitigação dos efeitos da desertificação humana de que o nosso território padece.
Reforçou-se, mais uma vez, a ideia de que as áreas rurais são efetivamente espaços de oportunidades de onde os jovens não têm de sair para singrar na vida. Para isso, tem de haver vontade, espírito empreendedor e resiliência por parte das populações, tal como abertura de mentalidades para ver na agricultura, e particularmente na agricultura sustentável, uma fonte de rendimento capaz de, por si só, ou como complemento de outra atividade principal, impedir a fuga de população e assim catapultar o nosso concelho para índices de desenvolvimento e de qualidade de vida superiores.
Foi justamente em redor desta lógica que, no Arouca Agrícola, se dissecou a importância deste espaço que alia o escoamento dos produtos locais a práticas biológicas. Simultaneamente, aproxima-se o produtor do consumidor e incentiva-se o consumo de produtos de qualidade, de acordo com a estação do ano, contribuindo para a descarbonização e diminuição da nossa pegada ecológica. Há também todo um pendor educacional e social nesta iniciativa, nomeadamente, por exemplo, através de parcerias efetuadas com a escolas do município, e com a distribuição ao domicílio de cabazes de produtos frescos.
No que respeita à visita ao Mosteiro, é de salientar a explicação dada sobre a sua localização que se prende com a fertilidade dos solos, por sua vez resultante da acumulação de sedimentos transportados, encostas abaixo, desde o cume das serras até ao vale e cuja acumulação é facilitada pelo estreitamento geológico na área da Pedra Má ( que fomenta a acumulação de materiais, agilizando a formação de matéria orgânica/solo), e com a abundância de recursos hídricos fundamentais para o desenvolvimento de variadíssimas atividades, designadamente a agrícola, proporcionando a fixação de comunidades, desde a Idade do Bronze.
Relativamente à exposição AQUA, esta demonstra, através de fotografias variadas, em que medida o nosso território é moldado e esculpido pelas águas que o atravessam. A água constitui-se, no nosso território, como um elemento diferenciador e identitário do ponto de vista geográfico, paisagístico, ambiental e humano. Importa, pois, gerir este recurso de forma respeitosa e sustentável até para manter a biodiversidade que nos caracteriza e que constitui, por si só, um agente de atratividade.
Com o intuito de assinalar o Dia Europeu do Mar, e na sequência de todas as explicações dadas sobre a água e da sua importância, a turma foi agraciada com um presente da Comissão Europeia (caderninho de notas e saco de pano - este lembrando a importância do uso de materiais reutilizáveis e sustentáveis – com o dizer “EMD, European Maritime Day, IN MY COUNTRY”), que os alunos e a professora responsável muito agradecem.
A turma pôde ainda visitar o museu e observar espaços do mosteiro que não conheciam, como a área do parlatório, as rodas dos enjeitados e da troca de bens, os quartos das monjas, a majestosa cozinha com a sua mesa gigante feita de uma única pedra de granito e a grande arca de cereais esculpida a partir de um castanheiro centenário. Como não podia deixar de ser, a conversa acabou por desembocar nos doces conventuais e na importância das claras de ovos para engomar as vestes das monjas e no consequente uso das gemas para doçarias cujas receitas eram trazidas pelas monjas – todas pertencentes à mais alta nobreza - e suas serviçais.
Uma palavra especial de agradecimento ao nosso Geopark, particularmente à Dra. Alexandra Paz que, mesmo doente, orientou a visita, proporcionando a partilha de conhecimentos e facilitando muitíssimo as aprendizagens efetivas da temática “Desequilíbrios Regionais” no âmbito da disciplina de Área de Integração e a consecução do Projeto DAC da turma. Estas, feitas in loco e ao vivo, de forma dinâmica, tornam-se muito mais interessantes, do que desenvolvidas entre quatro paredes e dentro de uma sala de aula.
Um grande agradecimento também ao Professor Vítor Correia, que cedeu as suas aulas para que esta saída de campo de pudesse concretizar.Um grande bem-haja a todos!