Saída de campo a Alvarenga - de que forma o desenvolvimento das áreas rurais reduz os desequilíbrios regionais?

No dia 9 de março, os alunos do 10G, no âmbito do seu projeto DAC, realizaram uma saída de campo a Alvarenga. A visita pretendia evidenciar as assimetrias regionais e formas de as combater  com mecanismos de discriminação positiva, nomeadamente, através do acesso a fundos europeus (recursos exógenos), que, por sua vez, potenciam os recursos endógenos como a qualidade ambiental, a beleza paisagística, a diversidade patrimonial, as práticas agrícolas, entre outros.

O percurso iniciou-se em Trancoso, com uma pequena resenha história do antigo concelho de Alvarenga, fazendo-se alusão ao pelourinho e ao foral de D.Manuel I que confirmou o anterior de D. Dinis. Seguidamente foi lecionada uma aula  sobre os desequilíbrios regionais, problemas a eles associados e formas de os combater, fazendo-se a ponte com o que iria ser visitado: Ponte 516, Casa Soutinho e Quinta de São Lourenço. Foi possível observar e registar, na prática, como estas estruturas fortalecem o desenvolvimento local e regional - aumentam a atratividade local, geram empregos diretos e indiretos e fixam população mais jovem, promovendo ainda a utilização de recursos tradicionais bem como a sustentabilidade ambiental através de práticas amigas do ambiente. Neste âmbito salientamos, por exemplo, o facto de na concepção e construção da Ponte 516 terem sido contratadas apenas empresas portuguesas, na Casa Soutinho existir aproveitamento fotovoltaico, utilizarem recursos hídricos próprios, telhados verdes e recorrerem a produtos agrícolas locais/próprios para os seus pequenos almoços, reduzindo, assim, os intermediários e a pegada ecológica. Na Quinta de São Lourenço, no lugar de Bustelo, a proprietária,contrariando todas as expectativas de uma área deprimida de montanha, conseguiu erguer uma estrutura agrícola bem sucedida que produz e vende, a sua fruta, designadamente mirtilos, transformando os excedentes em compotas que projetam Arouca, Alvarenga e Bustelo muito além dos limites da região. Os campos cultivados e a presença humana são aqui determinantes para aumentar a atratividade do local e assim diminuir o isolamento e a desertificação.

As áreas rurais podem e devem ser espaços de oportunidades de onde os jovens não têm, necessariamente, de sair para singrar na vida. Para isso tem que haver vontade e espírito empreendedor dos próprios, disseminação de informação sobre fundos comunitários e potencialidades locais, por parte de estruturas diretivas e associações e, claro, vontade política na manutenção de valências e recuperação de espaços que valorizem cada lugar e os transformem em áreas únicas que apetece visitar e de onde não se tem vontade e/ou necessidade de sair

Fotos