Seaspiracy: Pesca Insustentável

Recentemente, nas aulas da disciplina de Geografia A, tive a oportunidade de visualizar o documentário “Seaspiracy”, que me fez refletir sobre variados assuntos, tais como:

  • a sobreexploração de recursos e a ameaça à conservação da natureza;
  • a poluição das águas (nacionais);
  • a necessidade de controlo e fiscalização das águas nacionais; medidas de gestão integrada e sustentada;

O documentário explora a fundo os problemas que a pesca pode causar, despertando uma série de perguntas e emoções em cada um de nós.

Em primeiro lugar, acredito que a sobreexploração dos recursos marinhos é uma séria ameaça à preservação da natureza. A exploração excessiva de peixe como é mostrada no documentário, a partir de técnicas como o Bycatch (pesca acessória), por exemplo, pode levar à diminuição das populações e desequilíbrio dos ecossistemas marítimos, pois, pescam diversificadas espécies marinhas além da espécie alvo, aquelas não desejadas são despejadas novamente ao mar, já mortas. Por mais que tentem adotar formas mais “sustentáveis”, este documentário mostra-nos que isso é impossível. Impossível porque, tal como um dos entrevistados admitiu, a partir do momento em que a rede está no mar, não temos mais controle daquilo que apanhamos.

Em segundo lugar, os efeitos da pesca na poluição das águas nacionais são preocupantes. Pessoalmente, considero muito triste ver os nossos mares e oceanos afetados por práticas irresponsáveis, principalmente as práticas ilegais. Como vimos no documentário, a China pesca tubarões para comercializar as suas barbatanas que são usadas para consumo (carne e sopa de barbatana) e podem ser vistas à venda em qualquer lado em Hong Kong. Tanto para o ecossistema como para o ser humano, os tubarões são de grande importância. Por serem grandes predadores, estão no topo da cadeia alimentar e contribuem para o controle e a saúde das populações das espécies que são suas presas. Além disso, muitas vezes alimentam-se de bichos doentes e velhos. O consumo da carne de tubarão e da sopa de barbatana torna-se uma agravante para a conservação desses animais, já que gera pressão na pesca e resulta na predação. A pesca do tubarão leva ao desequilíbrio ecossistémico, que é um agravante da poluição. Além disso, a pesca resulta muitas vezes em resíduos como plásticos, redes e equipamentos danificados que acabam por poluir os ecossistemas aquáticos.

Em terceiro e último lugar, enquanto não nos consciencializarmos da importância da fiscalização e controlo das águas nacionais, nada vai melhorar, mas sim piorar. Ao não fiscalizar as águas nacionais por inteiro, permitimos que as várias práticas ilegais continuem a ser realizadas, tal como podemos observar no documentário, quando a organização Sea Shepherd Conservation Society deteve alguns barcos que navegavam livremente a pescar de forma ilegal. Necessitamos da implantação de regulamentos mais rigorosos.

Não só pela saúde das espécies de peixe, mas pela nossa saúde também temos de lutar e tentar mudar esta tendência. Foi referido no documentário que o consumo de peixe não é tão saudável quanto pensamos. Através de fábricas e navios/barcos que poluem o mar, o mercúrio entra em contacto com a água, sendo dessa forma ingerido por peixes, mais tarde ingeridos por nós. O Ômega 3 pelo qual consumimos o peixe é quase inexistente no peixe em si. Nesta parte do documentário, foi integrada uma medida que despertou a minha atenção e me deu vontade de experimentar. A Impossible Foods criou um projeto de peixe sem peixe, uma forma de proteína alternativa e muito mais saudável. Feito através de plantas, tem o mesmo sabor do peixe e beneficia-nos com todos os nutrientes bons do peixe, sem mercúrio ou qualquer outro resíduo. A nível nacional temos algumas medidas estabelecidas pela PCP (Política Comum das Pescas), tais como:

  • o decréscimo do número de embarcações licenciadas;
  • a reconversão das embarcações, através da aquisição de novas unidades e da modernização de outras.

Estas medidas são baseadas numa política de exploração sustentável dos recursos, de forma a que se consiga equilibrar as suas capacidades de pesca com as suas possibilidades de pesca.

Em suma, a pesca excessiva e insustentável afeta negativamente em quase todos os pontos a nossa vida, como a poluição (que nos afeta diretamente) e a destruição de ecossistemas e a biodiversidade. Devemos trabalhar juntos para proteger os nossos oceanos, e acredito que a redução/eliminação total da pesca, seria uma forma capaz de preservar a saúde dos ecossistemas marinhos. Logo, este documentário foi muito útil para refletir e repensar as minhas ações e as decisões que tomarei no futuro.

Glossário

  • Bycatch (pesca acessória):
    a captura de espécies diferentes da espécie-alvo pretendida, especialmente na pesca industrial.

  • Sea Shepherd Conservation Society:
    organização sem fins lucrativos, focada na conservação de seres marinhos, usa táticas de ação direta para proteger a vida marinha.

Ficha Técnica

  • Documentário “Seaspiracy” Género: Documentário
  • Data de lançamento: 24 de março de 2021 Duração: 89 minutos (1h e 29m)
  • Direção: Ali Tabrizi Produção: Kip Andersen Música: Benjamin Sturley
  • Cinematografia: Ali Tabrizi, Lucy Tabrizi Edição: Ali Tabrizi, Lucy Tabrizi
  • Companhias produtoras: A.U.M. Films, Disrupt Studios Distribuição: Netflix
    Idioma: Inglês