“Pela Liberdade: Respirações”- Homenagem a Ana Luísa Amaral
O Departamento Curricular de Línguas associou-se ao Departamento de Ciências Sociais e Humanas para comemorar o Dia da Liberdade e, desta vez, decidiu homenagear a poeta Ana Luísa Amaral, recentemente falecida (5 de abril de 1956 - 5 de agosto 2022), que já esteve entre nós, a convite do AEA, para participar nas Jornadas das Ciências Sociais, em 2017.
A autora integra o grupo dos poetas contemporâneos estudados pelos alunos no 12.ºano. Os alunos das turmas 12.ºC e 12.ºD/D1 selecionaram alguns poemas (“O tom da liberdade”, “As cores da servidão”, “Testamento”, “A Luta”) da coletânea “Pela Liberdade: Respirações” e declamaram-nos junto da comunidade escolar. A instalação artística montada na escola sede do AEA recupera os símbolos da liberdade (ou da falta dela) e inspirou-se na obra da poeta, mais concretamente, no poema “A Luta” que faz parte da referida coletânea.
Sobre estes poemas, a autora diz: “No caso concreto destes poemas, o próprio tema do conjunto “Pela Liberdade: Respirações” orienta, de alguma maneira, as leitoras e os leitores para duas questões: para a ligação entre a liberdade e a tirania, ou barbárie, e para a respiração enquanto duplo movimento: inspiração e expiração. O movimento de inspiração está ligado à criatividade, mas nos nossos tempos está ligado também a esse acontecimento tão traumático e tão terrível que foi o assassinato do negro [George Floyd] nos Estados Unidos, em que ele repetiu durante oito minutos “I can’t breathe!”. E as respirações são estas também!… Todos estes poemas tematizam, assim, a questão dos corpos dóceis; dos corpos que são violentados. Gostaria que estas questões fossem pensadas pelas pessoas que lerem estes poemas…”
Ana Luísa Amaral nunca deixou de lutar pela(s) liberdade(s), explorando, em particular, o universo das mulheres e deixa um conselho para a liberdade: a leitura. Numa entrevista que deu a Carla Amado, Responsável do Centro Cultural do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, em Vigo, Ana Luísa Amaral afirmou, a propósito da liberdade, que “… nós temos de continuar a lutar pela liberdade todos os dias. Nenhuma conquista, nenhum direito, é inalienável, irreversível. Todas as conquistas são reversíveis, infelizmente…”.
A atividade desenvolvida teve, entre outros, este grande propósito, lembrar que é preciso continuar a “regar” a liberdade, como se rega uma roseira.
