Carnaval de outrora, na EB Rossas
Na EB Rossas, na comemoração do carnaval, foram vivenciadas tradições de outrora, como a representação do “Serrar da Velha”, partilhada pelo grupo Sénior de Rossas, que se deslocou à escola para contar aos mais novos o Carnaval de antigamente.
Sexta-feira, 17 de fevereiro, e tendo em conta o projeto da escola “Agir e Poupar”, decorreu o desfile de mascarados, cujos trajes resultaram de aproveitamento de recursos e materiais que os alunos tinham em casa e da reutilização de fatos ou roupa velha, que permitiram reinventar e criar novos trajes carnavalescos, tal como era vivido outrora o carnaval. A escola deu assim cumprimento ao lema “custo zero, 100% poupança”, no quadro dos objetivos do projeto de escola, gastando o menos possível e respeitando o ambiente. Na escola, foram construídos, com os alunos, cartazes alusivos à poupança que acompanharam o desfile, no intuito de sensibilizar a comunidade para a aquisição de hábitos de poupança.
Depois de auscultar alguns idosos das freguesias, foi-nos falado de uma antiga tradição carnavalesca, o “Serrar da velha”. Segundo o relatado, os rapazes junto às casas das pobres velhas da freguesia colocavam um pau na porta e com outro em travessa, em jeito de rabeca, e com um serrote serravam um cortiço e ao toque de material velho (tachos; panelas; sertãs; chocalhos …) com voz grossa, liam o “testamento”. Há quem defenda que esta tradição estava intimamente ligada à falta de liberdade de que as jovens casadoiras eram vítimas. Regra geral, as “avós” eram as guardiãs das netas, dos bons usos e costumes, da defesa da honra. E os jovens ao serrarem a velha manifestavam o seu desagrado à violência exercida por essa “avó” tirana que os repelia de qualquer tentativa de se chegarem às suas amadas. As quadras que berravam à porta de certas senhoras denunciavam exatamente este propósito.
Assim, este ano letivo, recreamos esta tradição, onde não faltou o “testamento” (ler aqui) mais contemporâneo, misturando a crítica a situações concretas e atuais. Esta vivência foi articulada com a tradição do “Comadre e Compadre”, em parceria com o município.
Desta forma, com muito convívio e animação, foi vivido o Carnaval, regressado à freguesia e às suas raízes.