Comemoração do Centenário de José Saramago no AEA
Saramago inspirou uma semana plena de ação e transform’Ação
Na semana de 14 a 18 de novembro, o AEA homenageou, sob diversas formas e artes, o nosso Nobel da Literatura, José Saramago, pelo centenário do seu nascimento.
Inspirados pela sua obra, alunos e professores aprofundaram o conhecimento do autor que, em 1998, pôs, finalmente, Portugal no mapa da literatura mundial. Outros poderiam tê-lo feito, antes, mas ainda não tinha acontecido e a literatura portuguesa há muito que o merecia. Para assinalar tal feito, os arautos (alunos do Curso profissional de Animação sociocultural) percorreram as salas de aula, anunciando as comemorações, na ESA e na EBA.
As bibliotecas escolares estiveram no centro da festa, mostrando, como diz Saramago, que “A leitura é, provavelmente, uma outra maneira de estar noutro lugar.”. Através de exposições e desafios para todos os gostos, a comunidade educativa ficou a saber mais sobre a vida e obra do homenageado. Exposições e instalações artísticas “transformaram” as escolas, um pouco por todo o lado. Tudo estava “Escrito na PEDRA” para a comunidade educativa apreciar. A obra-prima de Saramago, o Memorial do Convento, foi reproduzida nas lousas poéticas, da autoria de antigos alunos da ESA, que interpretaram, artisticamente, os principais momentos do romance. Para conhecer melhor a vida e obra do Nobel, havia a exposição “José Saramago: Voltar aos passos que foram dados”. A forma como a obra de Saramago interpelou os alunos também ficou patente nas leituras que fizeram para a comunidade escolar; nos marcadores de livros elaborados pelos alunos, sob orientação dos professores da Educação Especial; no mural colaborativo (digital) elaborado pelos “Nossos Herdeiros de Saramago”, com textos criados e ilustrados a partir dos livros (títulos) do autor; ou nas frases inspiradoras que “bateram à porta” das salas de aula, selecionadas pelos alunos do 12.ºC, durante o estudo do Memorial do Convento.
Não faltaram os parabéns, no dia 16 de novembro. Junto ao bolo de aniversário, decorado a preceito, sopraram-se as velas do centenário, no átrio das duas escolas. Esse foi o dia escolhido para imortalizar Saramago nas paredes da escola sede do AEA, tendo sido descerrada, pela Diretora do agrupamento, uma placa comemorativa, na zona contígua à Biblioteca. Neste dia, os alunos do 12.ºano, que estudaram o Memorial do Convento, quiseram homenagear o autor, encenando um dos momentos mais marcantes do romance – o drama humano vivido pelos que ergueram o famoso convento, as suas mortes e sacrifícios, dos quais não reza a História. Saramago quis “deixar os nomes escritos”, no seu Memorial do Convento, o mesmo fizeram os alunos, que escreveram os nomes, de A a Z, nos tijolos com que construíram um novo memorial, que, entretanto, foi recriado, na sala de convívio, junto à reprografia, onde pode, agora, ser apreciado por toda a comunidade. Este momento foi abrilhantado pelo Afonso, que, sob a orientação do professor Miguel Brandão, da Academia de Música de Arouca, acompanhou ao piano a construção do memorial de tijolos. Esta homenagem só foi possível graças ao patrocínio de dois empresários arouquenses, Marcelo Soares, proprietário da “SDD – Soluções em Madeira” e Afonso Malheiros, Lda, que, prontamente, se disponibilizaram para colaborar com a escola e a quem o agrupamento agradece, publicamente.
A ciência e a literatura também se juntaram para dar a conhecer o ADN de Saramago, através de workshops de botânica. O Clube Ciência Viva da ESA, numa perspetiva multidisciplinar, dinamizou, para as turmas de 8º ano, a atividade o “ADN do Saramago”. Usando de uma linguagem simples e com métodos e técnicas acessíveis, foi frisada a importância das plantas autóctones para o meio ambiente e para a espécie humana e realizada uma caracterização botânica da espécie Raphanus raphanistrum, cujo nome comum é “Saramago”. Neste workshop, os alunos puderam observar, a olho nu, a heterocromatina (ADN e proteínas) desta espécie, a partir das folhas; extraíram os pigmentos fotossintéticos a partir das folhas, usando a técnica de cromatografia em papel e, por último, foi analisada a morfologia floral da espécie, destacando-se a observação à lupa do conjunto das diferentes peças florais.
A gastronomia e a culinária integraram, igualmente, o vasto programa das comemorações, com o almoço temático “À mesa com D. João V e Sete-Sóis”, servido no Restaurante Pedagógico, pelos alunos e professores do curso profissional de restauração, no âmbito do Projeto “Mais Português, Melhor Português”. Na sala de professores da ESA e da EBA, foi servido o “pão de Blimunda”, acompanhado do chá de saramago, planta conhecida como erva-dos-cantores, com reconhecidos benefícios para a voz, particularmente útil para cantores, professores, e outros profissionais a que se exige uma voz nítida e resistente. Bem a propósito!
O cinema também serviu para (re)visitar a obra de Saramago. Os alunos assistiram a filmes inspirados nas obras do escritor, como é o caso do Ensaio sobre a Cegueira, a fazer lembrar tempos recentes de uma outra pandemia que surpreendeu, emudeceu e paralisou o mundo. O documentário José e Pilar deu a conhecer, de forma mais intimista, a vida do nosso Nobel da Literatura.
Viajar com a obra de Saramago foi outro desafio. Os professores de Geografia e os seus alunos percorreram, poeticamente, o mapa de Portugal, que desenharam no átrio da escola, acompanhando Saramago, sem sair da ESA. A geografia saramaguiana surpreendeu a comunidade educativa, que, deste modo, ficou a conhecer uma das obras mais curiosas do Nobel – Viagem a Portugal. E a viagem também passa por Arouca, onde Saramago se detém na visita ao mosteiro, elogiando as belezas arquitetónicas e naturais da região.
As comemorações terminaram com a coreografia “O tempo é chegado”, mais um momento artístico extraordinário, inspirado no belíssimo final do romance Memorial do Convento. A atividade foi levada a cabo pelos alunos do 10.ºD/D1 e pela Cátia Pinho, 10.ºE. A Orquestra de Sopros da Academia de Música de Arouca, sob orientação dos professores Paulo Almeida e Sérgio Carvalho, abrilhantou a atuação dos alunos e deu ao espetáculo o dramatismo e a emoção que tocou todos os presentes. Saramago é arte!
Em resposta ao repto de Saramago para tornar este mundo um pouco melhor, o agrupamento quer, ainda, dar a conhecer a “Carta Universal dos Deveres e Obrigações dos Seres Humanos”, documento complementar à Declaração Universal dos Direitos Humanos, elaborado por iniciativa da Universidade Autónoma do México e da Fundação José Saramago. Para isso, os alunos do 2.º, 3.º ciclo e ensino secundário estão a construir o Livro Ilustrado dos Deveres e Obrigações, que será, oportunamente, divulgado à comunidade.
Este vasto programa só foi possível graças às sinergias criadas e à vontade dos envolvidos, como diria Saramago. Para além das colaborações exteriores à escola, juntaram-se à iniciativa do Departamento de Línguas, do PNA/PNC e das Bibliotecas Escolares, o Departamento de Ciências Sociais e Humanas e o de Ciências Naturais e Físico-Química, os professores de Artes, Cidadania e Diretores de Turma. Os cursos profissionais de restauração e animação sociocultural e seus formadores/professores também se associaram à efeméride. Bem hajam!