“Food for Good” – ser europeu é ser solidário

A solidariedade é um dos valores mais importantes da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. E não foi esquecido nas comemorações da Semana da Europa. As equipas EEPE e Escola Solidária organizaram uma campanha de recolha de alimentos – Food for Good – destinada às famílias ucranianas que encontraram, em Arouca, a paz que procuravam, quando deixaram o seu país devastado pela guerra.

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, cerca de 3,5 milhões pessoas — principalmente mulheres e crianças — chegaram à União Europeia no espaço de apenas quatro semanas. As crianças representam cerca de metade de todas as chegadas desde o início da guerra. Em Arouca residem, atualmente, 40 cidadãos ucranianos. É um dever de todos nós garantir que são devidamente recebidas e tratadas nos países de acolhimento. Esta iniciativa foi apoiada pelas Bibliotecas Escolares da ESA e da EBA, e também pela Associação de Estudantes.

A entrega simbólica dos bens recolhidos foi feita na tertúlia organizada pelas equipas EEPE e Escola Solidária, em articulação com a Rede Social, da Câmara Municipal de Arouca. A professora Isaura Ventura e os seus alunos do 12.ºano participaram na tertúlia, apoiando a tradução para língua inglesa, para facilitar a comunicação e a interação entre os presentes. A tertúlia, que decorreu no auditório da EBA, no dia 11 de maio, teve como convidada a cidadã ucraniana residente em Arouca Maryna Trepova, CEO de uma grande empresa em Kyiv.

Maryna Trepova falou da sua experiência como refugiada de guerra, da vida interrompida do dia para a noite, das famílias separadas, da importância de falar línguas estrangeiras e de ter uma mente e um espírito abertos a outras culturas e realidades. Na sua opinião, é isso que facilita a integração e a superação das barreiras, em situações como esta. Escolheu Portugal “porque era o país mais distante da Rússia”. Chegou até cá, viajando a pé, de comboio e de autocarro. Uma história como tantas outras, em tempo de guerra, no século XXI.

A comissária europeia dos Assuntos Internos, Ylva Johansson, afirmou que «Milhões de pessoas foram desenraizadas e temos de pôr rapidamente em prática todas as manifestações de solidariedade. (…) As pessoas que fogem da guerra precisam que os seus direitos sejam rapidamente restabelecidos. Devem poder trabalhar, ter acesso a cuidados de saúde, dispor de um teto para viver e mandar os filhos à escola.»

É o que todos devemos fazer, em Arouca, como no mundo inteiro.

Hoje eles, amanhã, nós.

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