Passeando e aprendendo por Arouca - “Céu e pedra!”
No dia 11 de junho, os alunos do 10.ºA realizaram, no âmbito da Oficina de Aprendizagem, uma visita guiada ao Mosteiro de Santa Maria de Arouca, com o intuito de recolher informação útil para o projeto da turma e, assim, contextualizar algumas das aprendizagens feitas nas disciplinas de Português, Filosofia e Biologia e Geologia.
Animados por um espírito filosófico e inspirados pelas leituras feitas nas aulas de Português e Biologia, os alunos foram conhecer melhor um dos ex-líbris da Vila de Arouca, o Mosteiro de Santa Maria de Arouca. Um pedaço do Céu (às vezes, de Inferno) e um gigante de pedra. Classificado Monumento Nacional a 16 de junho do ano de 1910, é considerada a maior construção granítica do género, em Portugal.
Foi uma oportunidade única para os alunos se aperceberem da magnitude do próprio edifício (estudo das rochas e preservação do património edificado), bem como do espólio que alberga o respetivo Museu, que possui um dos melhores acervos regionais de arte sacra do país, nos campos da pintura, escultura, mobiliário e prataria dos séculos XVI a XVIII. Salienta-se, igualmente, um fundo de livros de música, raro e de elevado interesse histórico, constituído por códices manuscritos e impressos litúrgicos e musicais, cuja datação vai dos inícios do século XIII até ao século XIX, que os alunos tiveram oportunidade de observar e apreciar.
Esta visita ganhou ainda mais importância graças à orientação do Dr. º Carlos Teixeira de Brito, juiz da “Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda”, que guiou o grupo e partilhou com alunos e professores muita informação relevante e curiosa sobre o papel sociopolítico do Mosteiro, na sua época, e sobre a importância do seu património museológico.
Alguns aspetos da vida e do quotidiano do mosteiro, em épocas muito recuadas [Idade Média], estão, de alguma forma, refletidos na própria literatura trovadoresca de caráter satírico, como é o caso da cantiga de escárnio e maldizer “Em Arouca uma casa faria “, da autoria de Afonso Lopes de Baião (1248), incluída no Cancioneiros da Biblioteca Nacional e no Cancioneiro da Vaticana e que aqui se reproduz:
En Arouca ũa casa faría;
atant'hei gran sabor de a fazer,
que jamais custa non recearía
nen ar daría ren por meu haver,
ca hei pedreiros e pedra e cal;
e desta casa non mi mingua al
senón madeira nova, que quería.
E quen mi a desse, sempr'o serviría,
ca mi faría i mui gran prazer
de mi fazer madeira nova haver,
en que lavrass'ũa peça do día,
e pois ir logo a casa madeirar
e telhá-la; e, pois que a telhar,
dormir en ela de noit'e de día.
E, meus amigos, par Santa María,
se madeira nova podess'haver,
logu'esta casa iría fazer
e cobrí-la; e descobrí-la-ía
e revolvé-la, se fosse mester;
e se mi a mí a abadessa der
madeira nova, esto lhi faría.
Com visitas como esta, os alunos pretendem recolher material para elaborar mini-roteiros turísticos, de carater interdisciplinar, a divulgar num site que a turma está a construir e que poderá ser consultado por quem quer “passear e aprender”, visitando Arouca.
Os alunos e professores envolvidos agradecem a disponibilidade e a colaboração da Real Irmandade Rainha Santa Mafalda, em especial, ao Dr. º Carlos Brito e à Professora Adelaide Peres, pelo apoio que deram a esta iniciativa.