Dia Mundial de Síndrome de Down
O Dia Mundial de Síndrome de Down foi proposto pela Síndrome de Down International (Down Syndrome International) como o dia 21 de Março devido ao facto de esta data se escrever como 21/3 (ou 3-21), o que faz alusão à Trissomia 21. A primeira comemoração da data foi em 2006.
Integração escolar de uma criança
com Trissomia 21
Já não era sem tempo de se tomar a iniciativa de integrar crianças com Trissomia 21(T21) num ambiente escolar com o objectivo de dar alguma esperança aos pais destas crianças e de demonstrar a todos que a sua integração numa escola de ensino regular é possível! Contudo, esta posição nunca foi e nunca será fácil de defender.
A integração escolar suscita diversas opiniões. Para alguns, esta não é benéfica para uma criança com T21. O argumento mais referido é a falta de recursos materiais e humanos especializados nas escolas regulares. Contudo, é de salientar, que as mentalidades se têm vindo a modificar ao longo dos anos. Nos finais do século XX, princípio do século XXI, as escolas começaram a abrir as suas portas à diferença. Tal abertura permite aos alunos com T21 viverem experiências enriquecedoras e de se desenvolverem como cidadãos activos na nossa sociedade. Esta integração permite, de igual modo, a tomada de consciência, por parte dos outros alunos, da existência da diferenças, conviver com ela, respeitá-la e aceita-la.
Quando se fala de integração de uma criança com T21 o objectivo é que esta seja aceite numa escola e numa turma do ensino regular. Pretende-se que participe nas actividades pedagógicas e sociais, tal como todas as outras crianças, mas ao seu ritmo. Será sempre uma das condições para se chegar ao êxito: respeitar o seu ritmo.
Um dos preconceitos mais presentes é o de que uma criança com estas características nunca conseguirá acompanhar um currículo dito normal. Os professores sentem-se ultrapassados mesmo antes de iniciar o programa com a criança. Por esta razão, é essencial dizer que o objectivo da integração é promover o seu desenvolvimento social da criança sem esquecer o lado pedagógico, isto é, considera-se que a socialização é a base da sua educação, sendo que a escolarização será um processo com objectivos traçados a longo prazo.
A integração de alunos com deficiência permite às outras crianças conviverem com a diferença e tomarem consciência de outros valores, que não lhes seria possível adquirir sem esta coabitação. Podem constatar que a vida não é só constituída pela perfeição mas por muitas diferenças, não esquecendo que todos temos um ritmo de aprendizagem diferente. Aprendem a ser tolerantes, a adquirir um espírito de entreajuda e sobretudo reconhecer a criança diferente como pessoa!
Uma criança com T21 pode adquirir competências como qualquer outra criança, sendo no entanto necessário adaptar o material usado em sala de aula ao seu perfil de funcionalidade. Pode parecer algo confuso mas é relativamente de simples. Desde que existem alunos com Necessidades Educativas Especiais na escola, muitos professores já foram confrontados com algumas medidas educativas tais como adequações curriculares e adequações no processo de avaliação. Aqui o que se pretende, quando se fala de material adaptado, é adaptar os materiais destinados à turma na qual está inserido o aluno com T21 á suas limitações. Pode-se considerar que esta tarefa é simples. Será exigido simplesmente, ao professor, uma dose de imaginação e uma dose de motivação. É de salientar que as adequações permitem ao professor dar uma grande margem de autonomia ao aluno com T21 (para melhor entender este ponto de vista temos o exemplo seguinte: numa aula de português, o professor pede aos alunos que realizem um exercício que consiste em completar um texto lacunar. Para uma criança que já adquiriu as competências da leitura e da escrita não será difícil realizá-lo. Porém, para um aluno com T21 será necessário adaptar o exercício. Como fazê-lo? Com a ajuda de um professor de Educação Especial, que pode acompanhar este aluno dentro da sala de aula, ou do próprio professor, o aluno pode rodear a palavra correcta ou um desenho que representa a palavra).
Ao adequar o material, evita-se a exclusão deste aluno na sala de aula, com a desculpa de que o exercício não é da sua competência! Quem deve adaptar o material? O professor da turma pode fazê-lo sozinho ou com a colaboração do professor de Educação Especial, no entanto, a responsabilidade das aprendizagens continua ao encargo do professor regular.
O ensino cooperativo é outra estratégia possível na sala de aula. Este permite uma maior integração do aluno com T21 e não só. Esta medida educativa facilita a todos os alunos desenvolver o espírito de colaboração e entreajuda.
Uma das dificuldades mais frequentes para a integração será o não respeito do ritmo de aprendizagem da criança dado que muitas vezes existe um grande número de alunos numa turma, o que impossibilita ao professor responder e solucionar as dificuldades de todos. Nesta situação é muito fácil esquecer que os alunos com T21 são mais lentos do que os outros na aquisição de conhecimentos. Mas quem diz “lentos” não quer dizer “incapazes”! Estas crianças podem aprender mas ao seu ritmo e não podemos pensar que o nosso esforço em ensina-las a ler, a contar, … de nada lhes serve. De facto, nunca conseguimos saber até que ponto são capazes de se desenvolverem e de aprenderem. Em muitos casos, com a estimulação e as estratégias adequadas, tornam-se jovens e adultos quase totalmente integrados e activos no contexto social em que se inserem. Por esta razão, devemos-lhes permitir desenvolver o mais possível as suas capacidades e não confiná-los num espaço fechado longe de tudo e de todos.