Alunos do Ensino Profissional fazem “Percurso Literário por Mafra, Lisboa e Sintra"

No âmbito da medida “Mais Português, Melhor Português” que agora chega ao fim (integrada no Plano de Inovação do AEA), cerca de 70 alunos dos cursos profissionais [1.º|2.º|3.ºanos do Curso Profissional de Restauração, Animação Sociocultural, Controlo de Qualidade Alimentar e Eletrónica e Telecomunicações] fizeram um “percurso literário” por Mafra, Lisboa e Sintra, enquanto estudavam as obras de Gil Vicente, Eça de Queirós e José Saramago.

Esta visita de estudo, que teve a duração de dois dias (12/13 de dezembro), faz parte do Plano Individual de Trabalho (PIT) dos alunos e visa, entre outras coisas, motivá-los para o estudo das obras literárias, trazendo a aprendizagem para fora da sala de aula, numa lógica de “sair dos livros para conhecer os livros”.

Ir ao teatro, visitar monumentos que fazem parte do vasto património histórico e arquitetónico português, passear por vilas e cidades que povoam o imaginário de escritores e artistas do mundo inteiro, como Sintra, Lisboa e Mafra, é uma forma diferente de ler (o mundo) e uma oportunidade única para consolidar conhecimentos sobre o universo ficcional destes escritores. Desta forma, os alunos tomaram consciência do valor do património cultural como fator de coesão e de pertença e da arte como promotora de formação integral do cidadão.

No primeiro dia, decorreu a visita guiada ao Palácio e Convento de Mafra, o maior monumento português do séc. XVIII, e o espetáculo da Companhia de Teatro Éter, que fez uma adaptação a todos os títulos excecional do romance saramaguiano “Memorial do Convento”. O romance foi um pretexto para fazer uma viagem no tempo e conhecer a época da construção do Real Edifício de Mafra, o quotidiano da família real, os hábitos e costumes do passado, a vida dura do povo, em parte fruto da megalomania do rei. A nobre basílica e a imponente biblioteca, uma das mais importantes bibliotecas históricas do mundo, colheram as preferências dos nossos alunos e deixaram-nos impressionados com a grandiosidade deste monumento imortalizado por José Saramago numa das suas obras-primas, que lhe valeram o Prémio Nobel, em 1998. Houve ainda tempo para um passeio pela vila de Mafra, vestida de cores natalícias, naquela altura do ano.
A pernoita foi em Almada, na Pousada da Juventude, cuja vista sobre o Tejo e o Cristo Rei não deixou ninguém indiferente. Chuva, frio e fome não desmoralizaram a comitiva, que se juntou para jantar na sala de convívio. Conversas, jogos, brincadeiras, alegria, contratempos, aprendizagens, tudo será recordado, porque é assim que se aprende a viver em comunidade, a resolver problemas, de forma criativa e solidária.

O segundo dia começou com um retemperador pequeno-almoço na pousada. Partimos em direção a Belém, local mítico dos Descobrimentos portugueses, pano de fundo da obra vicentina. A Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos, a Igreja do Mosteiro dos Jerónimos foram alguns dos locais visitados. Seguiu-se um passeio pelos arredores, para ver o Palácio de Belém, provar um pastel de Belém e admirar o Museu dos Coches e a vista espetacular do Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT). Almoço ao sol, com vista para o Tejo. Foi tempo de renovar forças para seguir viagem.

Em Sintra, local incontornável na narrativa de Eça de Queirós, Os Maias, os alunos fizeram o percurso queirosiano, até ao Palácio de Seteais. Sintra dos palácios, dos hotéis boémios e chiques, frequentados por poetas e intelectuais de toda a Europa [o Nunes (Hotel Tivoli) e o Lawrence’s, ainda lá estão], das ruas pitorescas e estreitas, da serra inspiradora e fantástica, dos travesseiros da Piriquita e das queijadas de Sintra. Não faltou nada.

O balanço desta experiência foi feito pelos alunos nos seus relatórios individuais e é esclarecedor quanto à pertinência e satisfação com que recordam o que aprenderam e viveram, durante estes dois dias. Dos seus relatos, percebe-se que aprenderam “mais e melhor” porque tiveram oportunidade de visualizar, vivenciar, tocar, sentir, no fundo, de viver aquele momento de aprendizagem num espaço livre e diferente. São experiências como estas que potenciam o processo de ensino e tornam as aprendizagens realmente significativas, criando espaços e tempos para a pedagogia das atitudes, dos valores e da preservação das memórias e das vivências culturais partilhadas com os pares e com os professores.

As docentes responsáveis pelo projeto, Ana Isabel Jesus, Olga Soares, Sílvia Jesus, e os professores que acompanharam a visita (Carla Santos, Manuel Mendes e Jorge Rocha) consideram que esta atividade foi extremamente relevante e produtiva do ponto de vista pedagógico, cultural e relacional, permitindo, de facto, ilustrar, contextualizar e consolidar as aprendizagens em curso, no âmbito do Projeto "Mais Português, Melhor Português, ao mesmo tempo que contribuiu para o desenvolvimento das diferentes áreas de competência do Perfil do Aluno, designadamente, o domínio de linguagens e textos (literários e outros), a sensibilidade estética e artística, o pensamento crítico e criativo, o desenvolvimento pessoal e a autonomia, o relacionamento interpessoal. 

Fotos

0
0
0
s2sdefault