Uma visita de se lhe tirar o chapéu!

No passado dia sete de novembro, os alunos do oitavo ano, turmas C, F e H, no âmbito da Oficina de Aprendizagem e do projeto “Chapéu cool”, realizaram a visita de estudo à Recidubai – Reciclagem de Plásticos Lda, uma empresa especializada na reciclagem de plásticos, situada na Zona Industrial do Rossio, e ao Museu de Chapelaria e do Calçado, em S. João da Madeira.


Durante a manhã, os alunos visitaram a empresa Recidubai, guiados pelo engenheiro Rui Carvalho e outros funcionários que, com gosto, responderam a todas as perguntas feitas pelos alunos, algumas delas presentes no guião da visita, previamente distribuído. No exterior da fábrica, eram visíveis os fardos de resíduos de plástico vindos, principalmente, de supermercados e centros comerciais. No interior, em primeiro plano, os alunos avistaram imensas máquinas de reciclagem, cada uma com a sua função, o que despertou um grande interesse tanto nos alunos como nos professores. Os guias explicaram as oito fases de transformação dos resíduos até ao produto estar pronto a ser vendido, o granulado, a matéria-prima secundária que irá ser utilizada por outras empresas para o fabrico de tubos, caixas para alimentos, rolhas, bases de vassouras, película aderente, entre outros. Esta empresa recicla cerca de 4000 toneladas de plástico por ano e exporta o granulado para diversos países. Atualmente, existem empresas que utilizam esta matéria-prima, não só porque é amiga do ambiente, mas também porque sai mais barata. Esta visita foi muito importante, pois permitiu que todos percebessem a importância da separação do lixo, da reutilização e da reciclagem para a poupança de recursos naturais e para a promoção do desenvolvimento sustentável.

A pausa para almoço foi feita no 8.º Avenida.

A tarde foi passada no Museu de Chapelaria e do Calçado. A visita ao Museu do Calçado surgiu da necessidade de dividir os alunos em dois grupos, porém, foi do agrado de todos. Na verdade, os alunos tiveram a oportunidade de conhecer um pouco da história do calçado e dos processos utilizados no seu fabrico ao longo do tempo, bem como observar sapatos que tinham sido utilizados por celebridades. À entrada, foi possível apreciar uma exposição da autoria de Costa Magarakis, um artista grego, que construiu sapatos muito originais a partir de materiais recolhidos na rua ou encontrados em mercados de segunda mão. Sem dúvida, uma inspiração para o projeto das turmas.

No Museu de Chapelaria, para muitos o espaço mais apreciado, instalado no edifício da mais importante unidade industrial deste ramo de atividade, a Empresa Industrial de Chapelaria (EICHAP), antiga fábrica de chapéus, fundada em 1914, e agora pertença da Câmara Municipal de S. João da Madeira desde 1996, os alunos obtiveram informações sobre a forma como eram confecionados os chapéus, as dificuldades vividas pelos chapeleiros, a diversidade de materiais utilizados e a notável variação de preços, em função do recurso natural utilizado (pelo de coelho, pelo de castor, lã, palha, seda e algodão). Ficaram a saber que, para fazer um chapéu de tamanho normal, eram necessários seis a sete coelhos e doze para os chapéus de cowboy; o pelo utilizado no fabrico era unido sem recorrer a qualquer tipo de cola, sendo que, para obter a textura final, era usada a água quente. As condições de trabalho dos operários eram duras, pois tinham de se sujeitar a vapores muitos quentes e tóxicos e à inalação de pelo que fazia com que muitos trabalhadores não ultrapassassem os quarenta anos de idade. Havia, ainda, os chamados “Unhas Negras” e os “Chapeleiros Loucos”. Os primeiros devem essa designação ao facto de apresentarem uma cor escura na extremidade das unhas, resultante do contacto contínuo com mercúrio e, os segundos, ao facto de inalarem a mesma substância que era utilizada na produção de chapéus de feltro.

Nas fábricas de chapelaria era usual recorrer-se ao trabalho infantil. Para ilustrar esta situação, foi contada a história de uma menina cuja função era fazer e colocar no interior do chapéu laços indicativos da parte de trás do mesmo.

Todas as máquinas que se encontram no museu pertenceram a antigas unidades fabris relacionadas com a indústria da chapelaria de S. João da Madeira. Apesar de desligadas, estão operacionais, podendo ser novamente utilizadas.

Para finalizar a visita, os alunos observaram vários chapéus e tiveram a oportunidade de os experimentar, o que ficou registado fotograficamente, como pode ser observado no facebook do Museu.

Esta deslocação serviu para incentivar e inspirar os alunos a criar os seus chapéus com resíduos urbanos de forma criativa, sustentável e consciente, nas aulas de Oficina de Aprendizagem, cujas disciplinas residentes são Cidadania e Desenvolvimento, História e Ciências Naturais.

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