Formação aprofundada para Embaixadores Seniores

No passado dia 26 de janeiro, no Centro de Congressos Alfândega do Porto, as Embaixadoras Seniores do AEA, Amélia Rodrigues e Olga Soares, participaram na formação aprofundada para professores envolvidos no Programa pedagógico Escola Embaixadora do Parlamento Europeu. Estiveram presentes cerca de 60 professores de 37 estabelecimentos de ensino integrados, atualmente, no programa EEPE, ao qual o AEA aderiu no ano letivo anterior.

Após o acolhimento dos participantes e enquadramento da formação pelo Chefe do Gabinete do Parlamento Europeu, Pedro Valente da Silva e pela Drª Alice Cunha, Gestora nacional do programa, seguiram-se as conferências que permitiram aos professores presentes refletir, debater ideias e aprofundar o seu conhecimento sobre a construção da Europa.
Num primeiro momento, a investigadora Doutora Clara Serrano da Universidade de Coimbra apresentou um curioso estudo sobre “Os manuais escolares do ensino secundário e o processo de construção política da União Europeia”, que gerou uma interessante discussão entre os docentes. Com efeito, desde os anos 80, têm surgido recomendações para melhorar o conhecimento da UE nas escolas. Também é sabido que a educação para a cidadania europeia que se faz nas escolas passa, em grande parte, pelos manuais escolares utilizados. Assim, a investigadora decidiu analisar manuais escolares de Portugal, Espanha, França, Itália e Inglaterra, consultados no Georg Eckert Institute, em Braunschweig, na Alemanha. Ficou a ideia de que os manuais portugueses são dos mais neutros e isentos em relação às questões europeias, mas por vezes um pouco superficiais. Devem ser melhorados para permitir aos professores e aos alunos uma análise mais aprofundada destas matérias. A maioria dos outros manuais analisados apresenta abordagens ou conteúdos que veiculam ideias mais nacionalistas e menos integradoras.

Num segundo momento, os docentes estiveram à conversa com os eurodeputados Paulo Rangel e Francisco Assis sobre “A democracia parlamentar europeia e o estado da arte na União Europeia”. Europeístas convictos, ambos quiseram marcar a ideia de que a União Europeia é uma democracia plena, é uma comunidade de direito e de direitos. Sempre bem-humorado e frontal, Paulo Rangel referiu-se à Europa como um “OPNI”, um “objeto político não identificado”, dada a complexidade e a versatilidade das estruturas e órgãos que a compõem. Falou do “povo europeu”, das virtudes e singularidades da democracia europeia e das mais-valias da adesão de Portugal à UE. Na mesma linha de pensamento, Francisco Assis comparou a Europa a um “clube de democracias liberais”, que salvaguarda os direitos individuais e os direitos humanos e respeita a separação de poderes. Excelentes oradores e comunicadores cativantes, os eurodeputados souberam lançar uma acesa discussão em torno dos perigos das “falsas democracias” que espreitam, um pouco por todo o lado, na Europa. Uma democracia não é apenas a vontade das maiorias e uma democracia sem limites e sem outras regras pode ser a pior ditadura. A Europa está atenta e tem uma forte função moralizadora e pedagógica na luta pelos direitos humanos e pela democracia plena, porque esta é a sua marca identitária, que é preciso preservar.

A sessão terminou com um almoço convívio para os participantes, a que se seguiu um espaço para networking, onde as escolas presentes divulgaram as suas iniciativas e projetos para o presente ano letivo, procurando estabelecer colaborações e parcerias estratégicas.

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